Resposta curta
Automação da NFAg é o fluxo que transforma ligação, leitura do hidrômetro, consumo, tarifa, serviços, benefícios e tributos em uma Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica modelo 75 autorizada e conciliada. A IA pode ler ocorrências, priorizar anomalias e explicar rejeições; medição, tarifa, cálculo fiscal, geração do XML e transmissão precisam continuar determinísticos, versionados e auditáveis.
O cronograma oficial da Reforma Tributária do Consumo fixa 1º de dezembro de 2026 para a obrigatoriedade da NFAg em abastecimento de água e esgotamento sanitário. Em 1º de outubro, a NT 2026.004 trouxe novas mudanças em valores líquidos, total do documento e notas agregadas. Preparar apenas o XML deixa de fora o maior risco: emitir uma nota tecnicamente aceita sobre consumo, tarifa ou cadastro incorretos.
A NFAg correta começa antes do XML. Ela precisa reproduzir a ligação certa, a leitura validada, a tarifa vigente, o tratamento tributário aprovado e o recebimento que será conciliado depois.

Por que esta é uma pauta de alta intenção agora
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o calendário que coloca a NFAg em produção obrigatória em 1º de dezembro de 2026 para abastecimento de água e esgotamento sanitário. A data exige que companhias estaduais, autarquias, concessionárias e seus fornecedores de tecnologia terminem integração, homologação, contingência, segurança e operação assistida antes da virada.
O documento já é real. O portal oficial da NFAg registra que o ambiente de produção foi liberado em dezembro de 2025 e que a primeira NFAg em produção foi autorizada em 31 de dezembro daquele ano. Em agosto de 2026, o Ato Técnico Conjunto nº 2 aprovou os manuais definitivos; em 1º de outubro, a NT 2026.004 alterou novamente pontos relevantes da RTC.
| Marco oficial | O que mudou | Decisão operacional |
|---|---|---|
| dezembro de 2025 | ambiente de produção liberado e primeira NFAg autorizada | tratar homologação e produção como ambientes reais, segregados e monitorados |
| 25 de agosto de 2026 | MOC, leiaute, regras e DANFAG publicados em versão final | congelar uma baseline e rastrear cada atualização posterior |
| 31 de agosto de 2026 | NT 2026.002 implantada em produção na SVRS | validar IBS/CBS, antecipação, cashback e demais grupos aplicáveis |
| 1º de outubro de 2026 | NT 2026.004 publicada | revisar vProd, valores líquidos, total do DFe e desenho de notas agregadas |
| 1º de dezembro de 2026 | início da obrigatoriedade no cronograma da RTC | concluir piloto, contingência, carga, conciliação e operação assistida antes da data |
O próprio catálogo oficial de documentos da NFAg avisa que as datas da NT 2026.004 poderão ser alteradas porque a publicação é recente. A empresa deve manter um calendário versionado, não gravar datas em código sem controle e monitorar o portal até a implantação efetiva.
O que é NFAg modelo 75
A NFAg é um documento fiscal de existência apenas digital para o fornecimento de água e os serviços de saneamento abrangidos. Sua validade jurídica depende da assinatura digital do emitente e da autorização de uso no ambiente nacional. O projeto cria um modelo nacional e permite acompanhamento da emissão pelo Fisco.
O DANFAG é a representação auxiliar da NFAg. Ele apresenta informações para consulta e pagamento, mas não substitui o XML autorizado, o protocolo nem os eventos. Para auditoria, atendimento e contabilidade, a companhia precisa preservar o conjunto completo.
A NFAg não é uma simples fatura em PDF e também não é uma NF-e modelo 55 adaptada. Ela possui leiaute, regras, serviços, chave, classificação de itens, tributação, eventos e documento auxiliar próprios.
| Artefato | Função | O que guardar |
|---|---|---|
| dados de origem | provar ligação, leitura, consumo, tarifa e serviços | fotografia versionada do ciclo de faturamento |
| XML enviado | demonstrar exatamente o conteúdo transmitido | arquivo, hash, horário e correlação |
| protocolo de autorização | provar a autorização de uso | número, retorno, autorizador e data |
| XML autorizado | documento fiscal oficial do ciclo | arquivo íntegro e recuperável |
| DANFAG | facilitar consulta, entrega e pagamento | versão gerada a partir do XML autorizado |
| eventos | alterar o estado oficial do documento | pedido, retorno, justificativa e vínculo |
| conciliação | ligar nota, recebimento e contabilização | identificadores, diferenças e resolução |
A NFAg começa na ligação, não no faturamento
No saneamento, o documento nasce de uma cadeia operacional extensa. Uma diferença de endereço, categoria de uso, economias, hidrômetro, período ou leitura pode atravessar o cálculo, a cobrança e o XML sem gerar erro técnico. O autorizador verifica leiaute e regras publicadas; ele não esteve no imóvel para conferir o medidor.
Os dados mínimos precisam formar uma visão consistente:
- unidade consumidora, ligação e instalação;
- titular e destinatário fiscal;
- endereço do consumo e município;
- categoria, subcategoria e número de economias;
- medidor instalado, troca e histórico metrológico;
- leitura anterior, leitura atual, data e origem;
- consumo medido, estimado, mínimo ou ajustado;
- período de referência e quantidade de dias;
- faixa tarifária, estrutura tarifária e vigência;
- água, coleta, tratamento de esgoto e demais itens permitidos;
- descontos, subsídios, tarifa social, devoluções e ajustes;
- classificação tributária e memória de cálculo;
- forma de pagamento, arrecadação e baixa.
O identificador da ligação deve permanecer estável. O manual recente ampliou idLigacao para até 20 caracteres, sinal de que o modelo precisa conviver com identificadores legados de diferentes prestadores. Normalizar não significa apagar o código de origem: preserve o valor recebido e uma chave canônica interna.
Medição e consumo precisam de trilha de evidência
Automatizar a NFAg sem controlar a leitura apenas acelera divergências. Cada leitura deve carregar:
- ligação e medidor corretos;
- data e competência;
- valor coletado;
- origem — telemetria, leiturista, autoleitura ou estimativa;
- foto ou evidência, quando prevista no processo;
- motivo de impedimento ou estimativa;
- regra de consumo aplicada;
- aprovação de ajuste, se houver;
- vínculo com a leitura anterior;
- versão usada no faturamento.
A IA ajuda a classificar fotos ilegíveis, agrupar causas de impedimento e detectar consumo improvável. Ela não deve inventar uma leitura ausente nem alterar consumo de forma silenciosa. Um modelo pode sugerir “possível vazamento” ou “incompatibilidade com histórico”; a regra de faturamento e o responsável autorizado decidem a ação.
Uma política útil separa três estados:
- válida: leitura passou nas regras e pode seguir;
- suspeita: precisa de confirmação, mas ainda não gerou documento;
- bloqueada: não pode faturar sem evidência ou regra alternativa aprovada.
Tarifa é dado versionado, não fórmula espalhada
Estruturas tarifárias podem combinar parcela fixa, consumo por faixa, categoria, número de economias, água, esgoto, serviços, subsídios e regras locais. Copiar fórmulas para telas, relatórios e integrações cria resultados diferentes para a mesma ligação.
Um motor seguro recebe fatos e uma versão explícita da tarifa. A saída deve registrar:
- tabela tarifária e ato de origem;
- início e fim de vigência;
- categoria e parâmetros aplicados;
- faixas e volumes consumidos em cada uma;
- valores unitários e parciais;
- critérios para esgoto e outros serviços;
- benefícios ou descontos;
- precisão e arredondamento;
- total antes e depois de tributos;
- responsável pela aprovação da versão.
Quando uma tabela nova entra em vigor, o sistema não recalcula documentos antigos com a versão atual. A reprodução de uma fatura de julho precisa usar os dados e as regras de julho.
IBS, CBS e classificação na NFAg
A NT 2026.002 da NFAg evoluiu o leiaute para contemplar antecipação de pagamento, obrigatoriedade de informações de IBS e CBS, percentual de devolução de tributos — o cashback —, alíquota zero da CBS em Área de Livre Comércio e melhorias em regras de validação.
A classificação não deve sair de palavras soltas como “água”, “esgoto” ou “serviço”. O fluxo precisa relacionar:
- código do item da NFAg (
cClass); - CST de IBS e CBS;
cClassTribvigente;- tipo de fornecimento ou serviço;
- destinatário e local da operação;
- benefício, redução, alíquota zero ou outro tratamento aplicável;
- período de consumo e data do fato;
- versão das tabelas oficiais.
O Conformidade Fácil mantém APIs oficiais para classificação tributária, crédito presumido, indicadores de local de operação e classificação de produtos da NFAg. Integrações podem consultar essas fontes, mas devem guardar a versão e impedir que uma mudança externa altere silenciosamente um lote já fechado.
O que mudou com a NT 2026.004
Publicada em 1º de outubro de 2026, a NT 2026.004 é o gancho mais recente deste guia. Segundo o resumo oficial, ela inclui:
- campo de valor líquido do item;
- valor líquido do produto sem impostos;
- mudança na composição de
vProdconsiderando IBS e CBS; - alteração da regra de total do DFe para não somar IBS e CBS;
- validação de
indDoacao; - IBS e CBS no grupo de processo referenciado;
- NFAg agregada e NFAg agregadora;
- exceção de alíquotas em homologação para aceitar alíquotas de 2027 em testes.
Essas mudanças exigem regressão de cálculo e não apenas atualização do XSD. O risco clássico é corrigir o XML e manter a composição financeira anterior, produzindo diferença entre fatura, documento fiscal, contas a receber e contabilidade.
Valor líquido e vProd
Mapeie a fórmula oficial para cada campo e mantenha uma memória intermediária. O sistema precisa mostrar quais componentes entraram, quais foram excluídos e em que ordem o arredondamento ocorreu. Nunca use o mesmo nome “total” para conceitos diferentes.
Total do DFe sem dupla contagem
Se a nova regra determina que IBS e CBS não sejam somados ao total do documento, o ERP não pode adicioná-los novamente na integração financeira. Teste verticalmente os itens contra o total e horizontalmente o XML contra a fatura e o título.
NFAg agregada e agregadora
O desenho precisa suportar relação explícita entre documento agregador e documentos agregados. Não trate agregação como simples agrupamento de PDFs. Preserve chaves, finalidade, período, valores e estado de cada componente e valide como cancelamentos ou ajustes impactam o conjunto.
Homologação com parâmetros futuros
A permissão técnica para testar alíquotas de 2027 em homologação não autoriza seu uso indevido em produção. Ambiente, data de referência, tabela e cenário devem ser parâmetros obrigatórios e visíveis.
Arquitetura segura da automação
Uma arquitetura confiável separa medição, faturamento, fiscal e arrecadação.
- Cadastro da ligação: mantém unidade consumidora, titular, endereço, categoria, economias e vigências.
- Gestão de medidores: registra instalação, troca, leitura, telemetria e evidências.
- Validador de consumo: detecta anomalias, impedimentos e estimativas conforme regras aprovadas.
- Motor tarifário: calcula água, esgoto, serviços, benefícios e ajustes de modo reproduzível.
- Catálogo fiscal: versiona
cClass, CST,cClassTrib, local e tratamentos. - Motor tributário: calcula IBS, CBS e demais componentes aplicáveis com memória.
- Gerador NFAg: monta o XML da versão ativa e valida schema e regras.
- Assinador e cliente SVRS: assina, transmite, consulta e recebe eventos com idempotência.
- Repositório fiscal: preserva XML, protocolo, DANFAG, eventos, hashes e versões.
- Arrecadação e conciliação: liga documento, pagamento, baixa, contabilidade e apuração.
- Fila de exceções: distribui causas de cadastro, leitura, tarifa, fiscal, técnica e financeira.

Cada componente deve receber uma entrada definida e devolver estado, evidência e motivo. Um erro de leitura não deve aparecer como “rejeição fiscal”; uma rejeição de schema não deve ser corrigida alterando a tarifa.
Fluxo técnico em dez etapas
1. Congelar a fotografia do ciclo
No fechamento, crie uma versão imutável de ligação, titular, endereço, medidor, leituras, consumo, tarifa e serviços. Alterações posteriores geram ajuste ou novo ciclo; não reescrevem o que sustentou uma nota autorizada.
2. Validar leitura e consumo
Compare sequência, dias, capacidade do medidor, histórico e eventos operacionais. Encaminhe anomalias para revisão antes do cálculo. Registre se o consumo foi medido, estimado ou ajustado e por qual regra.
3. Calcular a cobrança
Execute o motor tarifário com versão explícita. Produza memória por faixa e serviço, não apenas o total final. Bloqueie combinação sem regra aprovada.
4. Enriquecer com regra fiscal
Associe item NFAg, CST, cClassTrib, local, benefício e fundamentos. Use vigência e contexto completos. Sugestões de IA entram como candidato, nunca como regra promovida automaticamente.
5. Calcular tributos e valores líquidos
Calcule IBS, CBS, reduções, devoluções e totais aplicáveis. Preserve valores antes e depois de arredondamento. Reproduza a composição exigida pela versão vigente da NT.
6. Gerar e validar o XML
Monte a NFAg com chave, itens, ligação, faturamento, medição, totais e informações adicionais. Valide XSD, domínios, grupos condicionais, somatórios e regras antes de assinar.
7. Assinar e transmitir com idempotência
Proteja certificado e chave privada. Use um identificador único do ciclo e impeça nova emissão enquanto o estado estiver incerto. Os web services oficiais da NFAg separam recepção, eventos, consulta e status em homologação e produção.
8. Consultar após timeout
Perder a resposta não significa que a NFAg falhou. Consulte a situação pela chave antes de retransmitir. Duplicidade fiscal e duplicidade de cobrança são riscos diferentes e ambos precisam de bloqueio.
9. Gerar DANFAG e distribuir
Gere o documento auxiliar a partir do XML autorizado, inclua os elementos previstos no leiaute vigente e registre canal de entrega. Uma correção posterior precisa respeitar o evento ou procedimento oficial cabível.
10. Conciliar até a contabilidade
Compare ciclo esperado, NFAg autorizada, arrecadação, baixa, inadimplência, contabilização e apuração. Faça a conciliação por chave e, quando necessário, por item. Totais mensais iguais podem esconder uma ligação duplicada e outra ausente.
Exemplo concreto: companhia com 850 mil ligações
Considere uma prestadora com 850 mil ligações, cinco sistemas comerciais regionais e leitura por telemetria, dispositivo móvel e rota manual. O fechamento leva quatro dias e gera lotes separados por município.
Antes da automação, cada regional exporta uma planilha. A área fiscal recebe apenas totais, o financeiro gera títulos em outro processo e as rejeições voltam por e-mail. Quando uma leitura muda depois do faturamento, ninguém consegue provar qual versão entrou no XML.
O novo fluxo cria uma fotografia por ligação. O validador identifica 18.400 anomalias: 12.700 seguem por regra de estimativa aprovada, 4.900 exigem revisão operacional e 800 ficam bloqueadas. As 831.600 ligações prontas passam pelo motor tarifário e pela classificação fiscal.
O lote produz 831.520 NFAg autorizadas na primeira tentativa. Sessenta recebem rejeição cadastral, doze têm divergência de total e oito ficam em estado incerto por timeout. O sistema consulta estas oito e descobre que seis já foram autorizadas; somente duas voltam à fila de transmissão. Assim, evita reemissão e cobrança duplicada.
Na arrecadação, cada pagamento é ligado à chave da NFAg e ao título. Diferenças entre valor pago, abatimento e valor autorizado vão para uma fila própria. O ganho não é apenas emitir mais rápido: é explicar cada documento desde o hidrômetro até a contabilidade.
Tabela prática de controles
| Etapa | Entrada confiável | Validação automática | Evidência final | Dono da exceção |
|---|---|---|---|---|
| cadastro | ligação, titular, endereço e categoria vigentes | duplicidade, campos, município e vigência | versão cadastral do ciclo | comercial/cadastro |
| medição | leitura, data, medidor e origem | sequência, faixa, histórico e impedimento | leitura classificada e evidência | operação de campo |
| tarifa | tabela aprovada e categoria | faixa, vigência, economias e arredondamento | memória tarifária | regulação/faturamento |
| fiscal | cClass, CST, cClassTrib e local | combinação permitida e versão | regra fiscal aplicada | fiscal/tributário |
| XML | fatos e cálculos congelados | XSD, domínios, grupos e totais | XML validado | tecnologia/fiscal |
| autorização | XML assinado e chave idempotente | retorno, protocolo e consulta | XML autorizado | operação fiscal |
| entrega | XML autorizado | geração do DANFAG e canal | comprovante de distribuição | atendimento |
| recebimento | chave, título e transação | valor, data, baixa e duplicidade | conciliação financeira | financeiro |
| contabilização | documento e eventos | conta, competência e total | lançamento conciliado | contabilidade |
NFAg agregada exige desenho próprio
A NT 2026.004 cria NFAg agregada e agregadora. Mesmo antes de congelar o comportamento de produção, a arquitetura deve evitar atalhos perigosos.
Modele o relacionamento como entidade, com:
- chave do documento agregador;
- chaves dos documentos agregados;
- papel de cada documento;
- competência e período;
- valores individuais e consolidados;
- regra de elegibilidade;
- estado de autorização e eventos;
- tratamento de cancelamento, substituição ou ajuste;
- conciliação financeira e contábil.
Se uma nota agregada muda de estado, o sistema precisa identificar o impacto no agregador. Evite consolidar primeiro e tentar reconstruir a composição depois.
Vinculação de pagamento e split payment
A NT 2026.001 introduziu campos e eventos para relacionar DFe e transação financeira. O portal oficial esclarece que esses campos são preparatórios e que não havia exigência de preenchimento ou uso em produção em 2026; datas de obrigatoriedade dependem de instrumentos regulatórios.
Portanto, há dois trabalhos diferentes:
- preparar modelo de dados, identificadores e testes para a vinculação futura;
- não ativar uma obrigação inexistente apenas porque o campo está no schema.
Armazene identificadores do documento, título, transação, meio de pagamento e baixa de modo que a relação possa ser demonstrada. Quando a regra entrar em vigor, a mudança deve ser ativada por configuração versionada e evidência oficial.
Contingência offline sem perda de controle
O MOC prevê forma de emissão normal e contingência offline. Contingência não pode ser um botão que ignora validação. Ela precisa de critérios de entrada, numeração, armazenamento local seguro, prazo de transmissão, resolução de conflito e reconciliação.
Teste pelo menos:
- indisponibilidade antes do envio;
- queda após envio e antes da resposta;
- operação regional sem conectividade;
- retorno do serviço com fila acumulada;
- documento autorizado durante estado incerto;
- diferença entre relógio local e servidor;
- certificado indisponível;
- tentativa duplicada;
- cancelamento após recuperação.
Quando a conexão voltar, resolva primeiro os estados incertos. Só depois transmita documentos comprovadamente não recebidos.
Rejeições devem voltar à causa raiz
Uma fila eficiente não mostra apenas código e mensagem. Ela separa:
- cadastro da ligação ou destinatário;
- medidor, leitura ou consumo;
- tarifa e vigência;
- classificação de item;
- CST ou
cClassTribincompatível; - grupo obrigatório ausente;
- valor líquido ou total divergente;
- assinatura, certificado ou credenciamento;
- schema ou versão;
- duplicidade e idempotência;
- indisponibilidade ou timeout;
- vínculo de nota agregada.
Cada item precisa indicar origem, etapa, campo, versão, impacto, ação permitida e responsável. Corrigir manualmente o XML sem corrigir cadastro, cálculo ou transformação faz o problema reaparecer no ciclo seguinte.
Onde a IA ajuda — e onde deve parar
| Uso | A IA pode ajudar | Controle obrigatório |
|---|---|---|
| imagens de leitura | classificar legibilidade e sugerir inconsistências | valor oficial vem da evidência e da regra aprovada |
| consumo | priorizar anomalias e explicar padrões | cálculo e decisão de faturamento determinísticos |
| cadastro | localizar duplicidades e endereços suspeitos | confirmação na fonte competente |
| documentação técnica | resumir mudanças e apontar campos afetados | revisão na fonte oficial e versionamento |
| classificação fiscal | sugerir candidatos | aprovação tributária humana e tabela vigente |
| rejeições | traduzir mensagens e agrupar causa raiz | correção no sistema de origem |
| atendimento | explicar composição da conta com contexto | resposta baseada na memória real do ciclo |
| conciliação | priorizar diferenças | valores completos e regras reproduzíveis |
Não delegue ao modelo generativo a leitura oficial, a tarifa, a incidência, a alíquota, o código fiscal, o arredondamento, a assinatura ou a transmissão. A IA trabalha melhor como camada de análise e assistência sobre um núcleo determinístico.
Painel operacional que revela risco real
Um painel útil separa volume, qualidade de origem, conformidade fiscal e dinheiro.

Indicadores mínimos:
- ligações esperadas, bloqueadas e faturadas;
- leituras medidas, estimadas, ajustadas e suspeitas;
- variação de consumo por categoria e região;
- ciclos calculados e fechados por versão tarifária;
- NFAg geradas, autorizadas, rejeitadas e canceladas;
- autorização na primeira tentativa;
- rejeição por causa raiz e sistema de origem;
- estado incerto e tempo de resolução;
- divergência entre item, total, fatura e título;
- cobertura de
cClass, CST ecClassTribpor versão; - notas agregadas sem vínculo íntegro;
- NFAg autorizadas ainda não entregues;
- documentos sem pagamento e pagamentos sem documento;
- diferença entre arrecadação, contabilidade e apuração;
- idade e responsável da fila de exceções.
Um número alto de documentos autorizados não compensa uma taxa crescente de leituras estimadas. O painel precisa permitir seguir da métrica até a ligação e a evidência, respeitando perfis de acesso.
Homologação deve reproduzir a operação real
Teste uma matriz que combine:
- ligação residencial, comercial, industrial e pública;
- uma e várias economias;
- leitura normal, estimada, impedida e ajustada;
- troca de hidrômetro no ciclo;
- período curto, longo e mudança de competência;
- consumo zero, mínimo, elevado e negativo inválido;
- faixas tarifárias e mudança de vigência;
- água, esgoto e serviços permitidos;
- benefício, subsídio e cashback quando aplicáveis;
- CST e
cClassTribválidos, ausentes e incompatíveis; vProd, valores líquidos e total conforme NT 2026.004;- NFAg agregada e agregadora;
- contingência offline, timeout e consulta;
- cancelamento e demais eventos previstos;
- carga de fechamento e recuperação de fila;
- regressão com documentos dourados aprovados.
Homologação não é apenas receber autorização. Para cada cenário, compare entrada, memória tarifária, memória tributária, XML normalizado, protocolo, DANFAG, título e lançamentos. Um diff precisa apontar exatamente por que o resultado mudou.
Segurança, privacidade e governança
A operação trata nome, CPF ou CNPJ, endereço, histórico de consumo, pagamentos e ocorrências. O consumo pode revelar padrões de ocupação. Aplique finalidade, necessidade, acesso mínimo, retenção e segurança conforme a Lei Geral de Proteção de Dados.
Proteja especialmente:
- certificado, chave privada e serviço assinador;
- cadastro de titulares e ligações;
- leituras, fotos e telemetria;
- XML, protocolos e eventos;
- dados de pagamento e baixa;
- regras tarifárias e fiscais;
- logs de consulta e transmissão;
- funções de ajuste, cancelamento e promoção de versão.
Separe quem edita cadastro, aprova tarifa, mantém regra fiscal, promove versão, opera certificado e resolve exceções. A ação crítica deve registrar identidade, horário, justificativa, valor anterior e valor novo.
Método Laf para automatizar a NFAg
1. Diagnóstico
Mapeamos sistemas comerciais, regiões, ligações, leitura, tarifa, serviços, documentos atuais, arrecadação, contabilidade, volume e exceções.
2. Modelo canônico
Criamos uma representação estável de ligação, medidor, leitura, consumo, item, tarifa, regra fiscal, documento, evento e pagamento.
3. Motores versionados
Centralizamos validação de consumo, cálculo tarifário, classificação e cálculo tributário com memória reproduzível.
4. Integração NFAg
Conectamos ERP, sistemas comerciais, telemetria, assinador, SVRS, repositório, canais de entrega, arrecadação e contabilidade.
5. Homologação e virada
Executamos casos difíceis, arquivos dourados, carga, contingência e piloto controlado por região ou categoria.
6. Operação assistida
Monitoramos rejeições, estados incertos, versões, documentos agregados, conciliação e mudanças oficiais com fila de exceções.
Como a Laf Digital pode ajudar
A Laf Digital desenvolve integrações e sistemas sob medida para operações de alto volume e documentos fiscais eletrônicos. O trabalho une engenharia de software, automação, IA supervisionada, segurança e governança.
Se sua companhia precisa adaptar sistemas comerciais à NFAg, integrar medição e tarifa ao modelo 75 ou preparar a virada de dezembro sem perder rastreabilidade, fale com a Laf Digital. Podemos começar por um diagnóstico de dados e um piloto com ligações representativas, medindo autorização, retrabalho, estado incerto e conciliação.
Referências consultadas
- Receita Federal e CGIBS — cronograma de implementação dos documentos fiscais da RTC
- Portal da SVRS — projeto NFAg modelo 75
- Portal da SVRS — documentos, manuais, schemas, notas técnicas e tabelas da NFAg
- Portal da SVRS — notícias e implantação da NFAg
- Portal da SVRS — web services de produção e homologação da NFAg
- Portal Nacional da NF-e — MOC NFAg, visão geral
- Portal Nacional da NF-e — Atos Técnicos RFB/CGIBS
- Portal Conformidade Fácil — APIs de classificação e tabelas oficiais
- Portal dos DF-e — tabela de meios de pagamento e orientações
- Receita Federal — Atos Conjuntos da Reforma Tributária do Consumo
- Presidência da República — Lei Complementar nº 214/2025, texto compilado
- Presidência da República — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
Perguntas frequentes
O que é NFAg?
É a Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica, documento fiscal digital modelo 75 para os fornecimentos abrangidos de água e serviços de saneamento.
Quando a NFAg será obrigatória?
O cronograma oficial da RTC fixa 1º de dezembro de 2026 para abastecimento de água e esgotamento sanitário. A empresa deve monitorar atos e portais oficiais até a implantação.
A NFAg já existe em produção?
Sim. O portal da SVRS informa que o ambiente de produção foi liberado em dezembro de 2025 e registra a primeira autorização em produção em 31 de dezembro de 2025.
Qual é o modelo da NFAg?
O modelo é 75. Esse número compõe a identificação do documento e não deve ser confundido com NF-e, NFC-e, NF3e ou NFGas.
O que é DANFAG?
É o Documento Auxiliar da NFAg. Ele representa informações da nota para consulta e distribuição, mas não substitui o XML autorizado.
NFAg substitui a conta de água?
A NFAg é o documento fiscal do fornecimento. A experiência de cobrança pode integrar DANFAG, fatura e meios de pagamento conforme o processo e o leiaute aplicável, sem apagar as funções distintas.
O PDF é o documento fiscal oficial?
Não. O documento fiscal é o XML autorizado. PDF ou impressão são representações auxiliares.
O que precisa ser integrado para emitir NFAg?
Cadastro da ligação, titular, endereço, medidor, leitura, consumo, tarifa, serviços, regra fiscal, assinatura, SVRS, repositório, entrega, arrecadação e contabilidade.
A IA pode ler hidrômetros?
Pode ajudar a extrair o valor e medir confiança, mas a leitura oficial precisa manter imagem, identificação, regras de validação e tratamento de exceção.
A IA pode calcular a tarifa?
Não deve ser a fonte oficial. O cálculo precisa usar motor determinístico, tabela versionada, parâmetros aprovados e memória reproduzível.
O que é idLigacao?
É o identificador da ligação no leiaute da NFAg. O MOC recente ampliou o campo para até 20 caracteres.
O que mudou na NT 2026.004?
Ela alterou valores líquidos, composição de vProd, total do DFe, indDoacao, processo referenciado e criou NFAg agregada e agregadora, entre outros pontos.
As datas da NT 2026.004 estão definitivas?
O portal da NFAg alerta que as datas podem ser alteradas por causa da publicação recente. Trate o cronograma como configuração monitorada.
O que é NFAg agregadora?
É o documento que consolida a relação prevista com NFAg agregadas. A implementação deve preservar chaves, composição, estados e conciliação de cada parte.
Posso apenas somar notas para criar uma agregadora?
Não. A relação deve seguir o leiaute e as regras vigentes; soma financeira sem vínculos fiscais não prova a composição do documento.
NFAg tem IBS e CBS?
O leiaute e as notas técnicas da RTC incluem campos e regras de IBS e CBS. O tratamento depende da operação, da data, da classificação e da legislação aplicável.
O que é cClass na NFAg?
É a classificação dos itens do documento. Ela deve ser relacionada à tabela oficial e não substitui CST ou cClassTrib.
O que é cClassTrib?
É o código de classificação tributária da RTC que detalha o tratamento e condiciona grupos e campos permitidos, exigidos ou vedados.
Posso classificar todos os serviços pela descrição?
Não. Descrição é uma entrada, mas tipo do item, operação, local, destinatário, benefício, data e fundamento também podem mudar o tratamento.
O que é cashback na NFAg?
É a informação de devolução de tributos prevista na legislação e contemplada pela evolução técnica. O sistema deve preencher somente nas hipóteses e versões aplicáveis.
Split payment já é obrigatório na NFAg em 2026?
O portal dos DF-e esclarece que os campos de vinculação publicados são preparatórios e que não havia exigência de uso em produção em 2026 sem instrumento regulatório próprio.
Quais web services a NFAg utiliza?
O portal lista recepção, recepção de eventos, consulta e status do serviço para homologação e produção na SVRS, além da consulta por QR Code.
Como evitar NFAg duplicada?
Use identificador idempotente do ciclo, máquina de estados, bloqueio durante incerteza e consulta após timeout antes de qualquer retransmissão.
Como tratar uma leitura suspeita?
Classifique a anomalia, preserve a evidência, aplique regra aprovada de revisão ou estimativa e bloqueie o faturamento quando faltar base suficiente.
Como validar o total da NFAg?
Reconcilie valores por item, valores líquidos, tributos e fórmula do total conforme a NT vigente; depois compare o XML com a fatura, o título e a contabilidade.
Como controlar mudança de tarifa?
Versione tabela, vigência, parâmetros, ato de origem, aprovadores e testes. Cada ciclo deve registrar exatamente qual versão utilizou.
Como funciona a contingência offline?
Ela permite emitir no modo previsto quando o ambiente normal não está disponível, mas exige numeração, armazenamento, transmissão posterior, consulta e reconciliação controladas.
O que guardar de cada NFAg?
Fotografia da origem, memórias tarifária e tributária, XML enviado, hash, protocolo, XML autorizado, DANFAG, eventos, entrega, pagamento e conciliação.
Quais indicadores acompanhar?
Acompanhe leituras anômalas, estimativas, faturamento por versão, autorização, rejeição por causa, estado incerto, divergência de total, entrega, pagamento e conciliação.
Qual é o melhor piloto?
Uma região ou categoria representativa com leitura normal, estimativa, troca de medidor, benefício, rejeição, timeout, contingência e conciliação de pagamento.
Quando uma solução sob medida faz sentido?
Quando há sistemas regionais, grande volume, múltiplas fontes de leitura, tarifas complexas, integração fiscal e necessidade de rastrear cada nota até o medidor e a arrecadação.